
A exposição virtual “Inquietudes-Vagalume” foi desenvolvida pela Rede de Formação e Pesquisa em Curadoria, em parceria com a Escola de Belas Artes da UFMG e o Núcleo de Pesquisa MAMAM. Com curadoria coletiva de jovens curadores, a exposição apresentou uma leitura sobre o acervo do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, escancarando suas lacunas a abordando conceitos como raça, corpo e territórios, contando com obras de artistas com Oriana Duarte, Abelardo da Hora, Paulo Bruscky, Lula Cardoso Ayres, entre outros. A exposição está disponível no site: http://www.inquietudes-vagalume.com.br
Acervo Mamam Posto em Movimento
Inquietudes-vagalumes são corpos que foram se encontrando e se acendendo, instaurando levantes diante de um tempo tão devastador. Insurreições de corpos-continentes entre encontros-passagens ativados por gestos revolucionários diante de imagens criadas na relação invenção-espelho, que acenam ora para o passado, ora para o devir, mas os olhos desses inquietes vagalumes carregam as turbulências do tempo presente, ousam impor perguntas às imagens, como nos ensinou Paulo Freire, para construir leituras de mundo. Uma reflexão coletiva e colaborativa a respeito dos bens comuns. Cada pergunta elaborada gera uma conversa, abre diálogos, inventa outras e novas narrativas: isso é revolucionário. Ao levantarem voo perceberam que seus corpos iluminavam o caminho como se fossem estrelas da terra criando juntes, clarões e bricolagens com as imagens, que estavam silenciosas no acervo, mas latejantes, aguardando serem tocadas para que produzissem trovoadas. Inquietudes-vagalumes acervo posto em movimento por um gesto libertário. Ao olhar um acervo artístico que carrega as camadas da história, resultados dos trabalhos da memória, das histórias ocultadas, silenciadas do próprio lugar, dos próprios artistas, das suas invisibilidades que estão palpitando, esses inquietes-vagalumes souberam mergulhar e navegar nesse mar- acervo do Mamam, e, trazer para a superfície as suas profundidades, tanto do próprio acervo quanto de si, por meio de suas inquietudes frente ao tempo em que vivem. Se conectaram ao Museu, à suas narrativas históricas, aos percursos de vida de cada artista-obra-imagem selecionadas, inventaram palavras, depois perguntas, juntaram e construíram colagens entre obras distantes em suas visualidades, identidades poéticas e temáticas. Inventaram mapas e criaram conexões do acervo com outros artistas e seus trabalhos que não pertencem às coleções do museu, produziram conversas de dentro para fora e de fora para dentro. Fizeram curadoria coletiva e compartilhada. Inquietudes-vagalumes também conta as suas próprias vivências a partir de suas perguntas, falam de si, fazem do acervo ponte com a cidade, com o país e com o mundo. Os jovens curadores/curadoras que integram a Rede de Pesquisa e Formação em Curadoria de Exposição, a partir do Núcleo de Pesquisa do MAMAM, apresentam três núcleos narrativos, uma leitura não linear da coleção, aproximando artistas de tempos e contextos sócio-históricos diferentes, realizada com base no olhar e nas inquietações do presente, confrontando temas sobre o corpo, o Nordeste, sobre as águas, os territórios/continentes, as invenções, as delicadezas e agressividades dos encontros, às históricas de violência colonial, racista e patriarcal. Experimente olhar as imagens, as composições e conexões propostas pelo grupo. Há inúmeras maneiras de juntar, justapor, separar e reagrupar as imagens e construir conversas, daí a importância dos acervos artísticos estarem à disposição de seus públicos a cada encontro uma conversa se instaura. Aproveitem! Carolina Ruoso e Joana DA´rc Lima








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