

A nossa exposição foi tecida, bordada e costurada articulando as ações de ensino, pesquisa e extensão. Esse dispositivo de linguagem próprio do mundo das ações culturais, possibilita experiências de ensino aprendizagem em todas as suas etapas, elaboração, construção, realização. Nós reunimos uma equipe grande de professores e estudantes dos Cursos de Museologia, Artes Visuais e Conservação-Restauração, que realizaram as ações de gestão do projeto da exposição a partir de uma disciplina optativa. Confira nosso perfil no instagram @expo.porelascomelas
Orientados pelos professores em suas equipes e pela coordenação do projeto, os estudantes desenvolveram pesquisas a respeito das mulheres artistas presentes no Acervo Artístico da UFMG, pesquisas sobre as artistas-professoras do Curso de Artes Visuais e as artistas convidadas, nossas ex-alunas. Tal experiência proporciona um ensino articulado de História da Arte e Museologia, realizado a partir das práticas curatoriais, atravessado por todo o complexo percurso de elaboração e realização de uma exposição.
A pesquisa a respeito das artistas do nosso território, amplia nosso repertório cultural, fomenta nossas perspectivas a respeito da nossa história e da nossa cultura. Especialmente, quando rompe processos históricos de invisibilidades, através dos trabalhos da memória das artes.
A presença e permanência da mulher no cenário artístico contemporâneo tem cada vez mais se apresentado como um lugar de resistência. O pensamento e obra da artista Marlene Trindade foi o cerne e a imagem geradora do problema curatorial desta exposição. A dimensão de organicidade apresentada na composição da paisagem elaborada pela artista nos oferece a possibilidade de imaginar os movimentos de um agenciamento entre mulheres, demonstrando a sua complexidade, variedade e transitoriedade, assim como a necessidade de dialogarmos sobre seus papéis e insurgências na arte .
As raízes entrelaçadas que teceram essa pesquisa de imagens e elos do feminino e da pesquisa em arte, fazem o rizoma desenhando confluências, aproximações, afastamentos, continuidades e descontinuidades. Dos encontros e desencontros das mulheres artistas no mundo das artes, nascem as relações construídas na convivência na Escola de Belas Artes da UFMG. Um jardim, um pátio, um lugar de sociabilidade.
Tal conjunto de referências culturais nos convida a pensar nas muitas camadas dos tempos presentes na proposta da exposição aqui apresentada, reunindo mulheres artistas de diferentes gerações, no contexto do fazer artístico, da pesquisa e do ensino. A exposição traz a importância de refletirmos nessa visibilidade velada por tempos e que hoje vem somar as estruturas e pensamento da arte instituídos na Escola de Belas Artes.
As artistas/professoras do Curso de Artes Visuais são intelectuais mediadoras no mundo das artes que tecem organicamente as suas redes de sociabilidade entre mulheres artistas atravessadas pela história de uma instituição cultural, o Curso de Artes Visuais da Escola de Belas Artes da UFMG. Apresentaremos os diálogos promovidos a partir desse encontro para consororizar. Comemorar juntas, sororas, as memórias de uma vivência comum.
Núcleos narrativos
Artistas-historiadoras: vestígios e remontagens
Neste núcleo narrativo apresentamos as artistas que dialogam e desenvolvem um olhar para as fontes históricas. Seja um olhar para os acontecimentos históricos, seja um olhar crítico ou poético mais específico para as referências da história da arte. No caso especial das três artistas, selecionadas como articuladoras deste núcleo, temos as referências culturais que integram as histórias que foram tecidas a partir de Minas Gerais.
Trabalhos, conflitos e corpos políticos
Neste núcleo narrativo apresentamos as artistas que dialogam com os problemas sociais do seu tempo histórico, denunciando as guerras, as situações precárias de trabalho, os conflitos de terra e, especialmente, as maneiras como as mídias televisionam ou propagam nas redes sociais as notícias. Seus posicionamentos e tensionamentos face a uma sociedade culturalmente propicia a invisibilidade das mulheres também estão aqui presentificados.
Cultura, natureza e rizomas
Neste núcleo narrativo apresentamos as artistas que dialogam com as questões que aproximam natureza e cultura, as dimensões da sua organicidade que geram formas das figuras das plantas, dos bichos e das pessoas. Como as mulheres artistas observam, selecionam e elaboram rizomas estéticos articulando as ações de transformação da cultura com a fabricação de imagens das paisagens naturais. Falar de um cotidiano translúcido e domesticado à sua condição de gênero.
Retratos, autobiografias e mulheridades
Neste núcleo narrativo apresentamos as artistas que dialogam com a criação de biografias e autobiografias, seja a partir da composição dos retratos femininos, seja na apresentação das diversas possibilidades de existência das mulheres no mundo, suas questões, suas lutas, suas trajetórias, ampliando nosso repertório a respeito das mulheridades. Discutir seu lugar no mundo e suas imparidades.
Cosmopercepções, circularidades, desejos
Neste núcleo narrativo apresentamos as artistas que dialogam com as questões referentes ao posicionamento do indivíduo perante a vida, tratando-se assim de mulheres que descrevem ou expressam, através da visualidade, sua concepção de mundo. Abordam desde elementos cotidianos à escrita e expressão de pensamentos maturados e reflexivos, incluindo as dimensões da ética do cuidado.
A exposição conta com o trabalho de cinquenta e oito artistas: Ana Amélia Moura Rangel, Ana Elisa Gonçalves, Ana Raylander Mártis dos Anjos, Andrea Lanna, Ana Horta, Andréa Vilela, Angélica Adverse, Anna Karina Castanheira Bartolomeu , Aninha Duarte, Ariadna Americano Freire, Astreya Floren El Jack, Beatriz Coelho, Brígida Campbell, Camila Moreira, Cássia Macieira, Christiana Quady, Clara Assumpção, Cláudia França, Daisy Turrer, Dayane Tropicaos, Dyana Santos, Elisa Campos, Fernanda Goulart, Giovanna Martins, Iaci Carneiro, Isabela Prado, Isaura Penna, Janaina Barros, Juliana Pontes, Juliana de Oliveira (Julianismo), Leonora Weissmann, Letícia Grandinetti, Liliane Dardot, Liliza Mendes, Lucimar Bello, Maria do Carmo Freitas, Maria do Carmo Vivacqua Martins, Maria Helena Andrés, Marília Rodrigues, Marina RB, Marlene Trindade, Martha Loutsch, Mary Ann Pedrosa, Marília Andrés Ribeiro, Mirella Spinelli, Mônica Sartori, Nydia Negromonte, Olga Lebedeff, Patricia Franca-Huchet, Pink Molotov, Ruth Werneck, Sara Ávila, Sara não tem nome, Sandra Bianchi, Tânia Araújo, Teresinha Soares, Yanaki Herrera e Yara Tupinambá.
Esta exposição integra um conjunto de ações de ensino, pesquisa e extensão, que envolveu professores, técnicos administrativos e alunos do curso de Museologia, Artes Visuais e Conservação-Restauração. Veja a ficha técnica com a equipe da exposição aqui.




Deixe uma resposta